Nova categoria do site, vamos “maratonar”, um verbo muito conjugado em Netflix mas que serve muito bem para os quadrinhos também, o maratonando de hoje é o classicão Monstro do Pântano de Alan Moore.

A ideia dessa postagem veio quando eu li Monstro do Pântano Raízes do Mal (ainda em bancas) e senti a necessidade de reler a Saga do Monstro do Pântano de Rick Veitch para relembrar alguma coisa, na primeira página eu decidi reler Alan Moore, aí pensei em compartilhar com vocês as impressões do que é maratonar um quadrinho. Decidi não continuar buscando material anterior por não ser uma leitura tão imprescindível e desconexa com a nova abordagem de Alan Moore.


Dicas:

1 – Tenha em mãos todos os exemplares antes de iniciar a leitura, então vamos à eles:

Escolhi as edições compiladas lançadas pela Panini (até agora a única mais completa) com toda a fase escrita pelo Alan Moore, sendo:

 

Primeiro Livro Segundo Livro Terceiro Livro Quarto Livro Quinto Livro Sexto Livro
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Já a partir da primeira edição, o início da saga, vemos um Monstro do Pântano “morto” e estudado pela empresa inimiga do verde. Começa aqui um arco impressionante chamado “Lição de Anatomia”, com a participação da Liga da Justiça pré crise e um Homem Florônico que transita entre o insano e o divino, uma história que de vez em quando releio. Há a descoberta do Monstro do Pântano não ser Alec Holland (ok, não falamos de origens principalmente pq aqui não é postagem de origens), essa descoberta em primeiro momento desestrutura o personagem e abre para que um infindável leque de opções se abra à sua frente, um elemental do verde! Afinal de contas o que é isso? Tudo ainda a ser descoberto nas edições futuras. A sensação de que o Monstro do Pântano é uma pequena peça em um gigante tabuleiro universal entre as forças do bem e as forças do mal começam a tomar forma aqui, cada vez mais temos histórias de terror nestes arcos, apesar de que sua existência começa a ser questionada ao mesmo tempo que acontecimentos muito maiores estão aparecendo, temos a introdução de um personagem, que era pra ser um simples coadjuvante, uma paródia à fisionomia do cantor Sting da banda inglesa The Police, chamado John Constantine (não estranhe que esse inglês cara de pau e fanfarrão tenha as iniciais JC, o seu nome foi escolhido com muito cuidado), um humano que se dispõe a levar Alec em uma jornada para combater o mal e de auto conhecimento. Quando o Monstro do Pântano se vê cansado dessa “road trip” sem sentido ele enfrenta seu maior desafio, enquanto nos “mundos” superiores os “heróis” enfrentam o Antimonitor e a Crise nas Infinitas Terras (tem video no canal falando dela) somos apresentados à batalha no mundo inferior, entre o céu e o inferno literalmente, alguns outros heróis do mundo místico ajudam nessa batalha, temos baixas e o final não falarei aqui de jeito nenhum, leia por favor!

A volta de Alec ao mundo superior se dá e ele precisa enfrentar outro drama, um fotógrafo viu e fotografou uma das noites que ele e sua amada Abby passaram juntos, sim! O Monstro se apaixona por uma humana e é correspondido! Acontecimentos derivados desse arco levam o Monstro a encontrar e enfrentar um Batman que não consegue fazer nada contra a força da natureza irada que o Monstro do Pântano representa.

Apesar de que a empresa que o “matou” no final da outra série investe novamente e o “mata” novamente, fazendo o seu espírito vagar fora da terra, esse arco espacial é o segundo melhor arco deste encadernado, a história do planeta azul e a que acontece em Thanagar são sensacionais!

Alec aprende a controlar esse novo dom de sair e voltar do seu corpo de um jeito diferente do que ele fazia antes, assim, ele poderia se juntar a planetas diferentes, ele volta pra Terra e descobre que o sucessor dele já havia sido escolhido e ele precisava treiná-lo, consumi-lo ou se enraizar e deixar o “broto” seguir a nova vida adiante. Também conseguimos presenciar a inauguração do selo Vertigo da DC exatamente com essa coleção.

A coleção termina realmente com um fim, Alan Moore é realmente um gênio, soube escrever Monstro do Pântano como ninguém, a sensação de maratonar essa saga é muito boa, a leitura é sempre, em todas as histórias, de alto nível, muita magia, horror, terror, drama, paixão, suspense… tem de tudo e tudo é bem feito. Tão bem feito que a leitura seguinte, a do Rich Veitch, que assumiu tanto o argumento quanto a arte, mesmo não sendo ruim, se torna fraca ao ser comparada ao Moore.

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Equipe Criativa
Alan Moore Stephen Bissette John Totleben Tatjana Wood Alfredo Alcala Rich Veitch
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Outro ponto alto é a arte inicial de Stephen Bissette e John Tottleben, um primor no traço que nunca mais foi atingido com o Monstro do Pântano.

Mas sabe quem dá o tom para as histórias? A colorista! Sim, Tatjana Wood faz um trabalho primoroso complementando a arte com as cores maravilhosas do pântano e do sombrio. Uma artista sensacional!

O único ponto negativo é que essa saga saiu em “Papel Jornal”, as cores e os detalhes da arte se perdem um pouco, mas quem leu na época, lia neste mesmo papel, houve um “respeito” ao saudosismo mas que poderia ter uma edição em melhor qualidade poderia sim!

Considero essa uma maratona digna de se fazer e uma coleção essencial a todo leitor de Monstro do Pântano e quem gosta do gênero de terror.